Passou já mais de um mês que regressámos de Santiago de
Compostela.
Tenho tido muitas dificuldades em expressar-me através da
escrita (à partida para mim sempre a forma mais fácil de comunicar). Porquê?
Não faço ideia!
Contudo, hoje senti a coragem para o fazer. Finalmente.
De 16 a 21 de Maio
Esta foi com toda a certeza uma semana muito intensa e ao
mesmo tempo extenuante.
Seis dias, cinco pessoas, 150 km e uma mochila. Além da
bagagem necessária, levávamos também connosco muita vontade em superar este
desafio que desconhecíamos por completo – apesar de acharmos que sabíamos
muito. Mas não!
Nada do que se possa ler, das experiências dos outros, tem a
ver com a nossa própria vivência do e no Caminho. E isto, é a mais pura das
realidades.
Andei cerca de seis meses a preparar esta aventura (fora o
tempo que já tinha andado a prepará-la há dois anos e que por motivos pessoais
não podemos ir).
Li um livro de uma portuguesa que fez o caminho francês, vi
um filme (maravilhoso) também do caminho francês, li uma série de artigos na
internet nos sites de ajuda aos peregrinos, quer sites portugueses quer
brasileiros – há imensa informação em sites brasileiros.
Desengane-se quem pensa que ler sobre isto ou ver vídeos de
outros a passarem obstáculos vos dá experiência para o ir fazer.
Conselho pós Caminho: preparem-se bem fisicamente. Treinem
com o calçado que querem levar e treinem com a mochila ás costas. Mas, principalmente,
não vão com qualquer pessoa fazer isto (mais vale irem sozinhos) e acima disto
tudo preparem-se psicologicamente para o abalo que vão levar!!
A nossa cabeça comenda tudo. As dores, as alegrias e outras
quaisquer sensações estranhas ao longo destes dias (6 ou mais, conforme a
caminhada de cada um).
Primeiro dia –
Destino: Tui
No primeiro dia tudo foi relativamente fácil!
Festejamos na véspera o tricampeonato do Benfica em Paredes
de Coura, dormimos muito bem na Casa da Capela, local onde carimbamos pela primeira
vez a nossa credencial, (http://www.casadacapela.pt/portal/ ) e às
08h00 estávamos mais que prontos para a partida. De mochila às costas, todos
pela primeira vez, foi estranha a sensação do peso. Seguimos viagem, sorrisos
no rosto e expectantes pelo que ai poderia vir. Este primeiro dia teve nele,
para mim, essa magia do desconhecido. Como cada um iria reagir aos km`s
diários, aos obstáculos, reagir até uns aos outros, porque seriamos só nós,
todo o dia, sempre juntos! Correu tudo bem, o Caminho de Santiago está
extremamente bem identificado, por nós foram se cruzando algumas personagens
que não vamos esquecer, como aquele espanhol de uns 60 e muitos anos que só
queria tirar fotos com os “amigos de Portugal”… Alguma lama, algumas dificuldades,
mas nada de mais. Chegámos a Valença do Minho perto da hora de almoço
(12h/12h30) e decidimos continuar até ao destino final, para podermos procurar
albergue para dormirmos nessa noite e depois sim, descansar. Chegámos a Tui
perto das 14h00 (hora espanhola), ficamos num albergue mesmo no centro da
cidade, os cinco na mesma camarata. Almoçamos lindamente lá perto e fomos
dormir a siesta até à hora de jantar.
Tínhamos que descansar, porque o cansaço iria acumular-se diariamente. Dormi
muito bem neste dia. Aqui ainda os pés não estavam nada inchados…
Nesta camarata de 6 camas no total “dormiu” connosco um
alemão de 60 e tal anos, que fazia o caminho sozinho. Vinha do Porto, há três
dias já. Que coragem!
Agora…descansemos que o dia seguinte seria longo!
(to be
continue…)



