segunda-feira, 28 de agosto de 2017

2 Anos de Ti

Meu blog, meu espaço, meu querido.
Aqui partilho algumas ideias, alguns pensamentos, alguns hobbies e afazeres.
É bom ter este espaço onde posso de vez em quando dar asas à minha imaginação e escrever sobre os mais variados temas de que gosto.

Não o criei para ter milhões de seguidores, mas sim para ele me seguir a mim.

Gosto deste cantinho e espero que o consiga ir sempre actualizando quando quero!

Que nunca me falte imaginação nem algum jeito para escrever.
E os amigos gostem de me ler... Gosto mesmo disto!


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Era Uma Vez Uma Mulher

Quarto Desafio de Escrita Criativa

"Havia uma mulher que..."
Continue, acrescentando não menos de 300 palavras, este texto.

Este é o meu texto:


Havia uma mulher que era tão feia, tão feia, mas tão feia, que vivia isolada do mundo desde sempre. Quando nasceu, era a criança mais desejada da sua aldeia. No entanto, assim que a mãe a viu, chorou sete dias e sete noites, horrorizada por esta bebé ser tão feia.
O seu pai, independentemente da sua pouca beleza, amava-a como nunca amou nada na vida. Também chorou, coitado, sozinho à noite, na sua biblioteca. Chorava, não porque sabia que a sua querida menina era feia, mas porque sabia que ela ia sofrer a vida inteira por ser assim. Diferente.
Cortava-lhe o coração ver todos à sua volta gozarem com a menina, que mal tinha horas e já era desprezada por toda a comunidade.
A mãe tentou matar-se várias vezes. Mas ironia do destino, nunca conseguiu. Talvez fosse o seu karma ter que olhar para aquela menina o resto da sua vida. Por isso, fechou-se a sete chaves noutra casa, isolada de tudo e todos.
O pai, por seu lado, agarrou-se à vida e à sua fábrica de ferro, dedicou-se ao seu trabalho afincadamente. Quando ela era pequena só ele a visitava. Lia-lhe histórias todas as noites antes de ela adormecer, levava-lhe o pequeno-almoço todas as manhãs antes de sair para trabalhar, vinha almoçar com a filha, voltava para a fábrica e fazia questão de jantar com ela.
Quando ela fez seis anos contratou uma professora para dar aulas à sua menina, que cresceu encarcerada na torre mais alta da sua casa. Quase ninguém tinha autorização para a visitar. A mãe mão mais a quis ver.
Para celebrar os seus dezoito anos, o pai organizou uma festa para toda a gente da aldeia e arredores. Queria apresentar a filha ao mundo. Era um pai orgulhoso dela e assim que o baile começou, Ana desceu a escadaria, coberta por um véu cor-de-rosa, num vestido deslumbrante, feito à sua medida. As luzes estavam quase apagadas, todos pensaram que o pai não queria que se assustassem ao vê-la. Toda a gente sabia que ela era feia, mas há dezoito anos que ninguém a via.
Quando a música começou a tocar, Ana retirou o véu e o som do espanto percorreu a sala. Ana tornou-se numa mulher única, de uma beleza esplendorosa, um corpo de sonho e uma inteligência fora de série. Todos os solteiros queriam dançar com ela; os homens casados também mas não podiam.
No final da noite, a mãe apareceu sorrateiramente para ver como estava a correr o baile e logo que viu a filha nem quis acreditar em como ela se tinha tornado numa mulher bonita, com um rosto cheio de luz em contraste com a torre escura onde sempre viveu.
Ana viu-a, chamou-a para si. Dançaram as duas. A mãe chorou de vergonha e Ana perdoo-a. O pai voltou a sorrir, a mãe viveu envergonhada o resto da vida.
E Ana? Ana voltou para a sua torre, sua fortaleza, onde sempre quis viver, embora a partir deste dia não mais ficou fechada, assumindo os negócios do pai, casou com o homem mais bondoso da aldeia e fez fortuna. Foi mãe de um rapaz e deu-lhe o nome do seu pai: Francisco.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Quarenta, e Agora?!

Terceiro desafio do concurso de Escrita Criativa.

"Escreva uma história, com não mais de 300 palavras, em que a personagem principal seja uma mulher de 40 anos."

Este é o meu texto:


Desde 2002, altura em que terminaram a licenciatura, que no mês de Abril todos se voltam a reunir para celebrar a amizade, recordar os tempos de faculdade e as noitadas das semanas académicas de todo o país. Este ano não foi excepção. É um fim-de-semana sem famílias!
Todos os anos é nomeado alguém para a organização, desde as dormidas, os almoços, os jantares e as actividades complementares, diurnas ou nocturnas. Este ano foi a vez de Luísa organizar tudo. Pediu ajuda a Sofia na escolha do local onde iriam todos dormir, e optaram por alugar um monte em Odemira para os três dias de infinita loucura.
Um monte, doze amigos (oito mulheres e quatro homens), três dias, duas noites: diversão em estado puro. São todos divorciados, excepto o Manuel, que é casado com a namorada de infância, a Rute, desde os 24 anos e têm 4 filhos, todos separados entre eles por apenas 2 anos cada um.
Este ano, coincidência, o evento calhou nas comemorações do 40º aniversário da Luísa, pelo que a festa prometia! Luísa estava até um pouco apreensiva porque estava separada de fresco e tinha receio do que poderia acontecer no meio daquela adrenalina e bebedeira que normalmente pauta estes encontros. Sentia-se vulnerável e a celebração dos seus quarenta anos, aliada à celebração dos seus seis meses de divorciada tinham nela um efeito um pouco agridoce.
Luísa acabou por se envolver com o Henrique durante aqueles dias e agora nem sabia bem como encarar aquela situação peculiar, já que ele trabalha com o seu ex-marido e a ex-mulher é sócia dela na empresa de consultadoria.
          - Que merda! Foi preciso chegar aos quarenta para fazer asneiras como se tivesse 15! Porra pá! – Reflectia Luísa a caminho de Lisboa, no regresso a casa. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Não Sei Se Ria ou Se Chore

Segundo Desafio do curso de escrita criativa:

"Escreva um texto, com não mais de 300 palavras, que faça rir e chorar em doses iguais."

Este é o meu texto:



Todas as sextas feiras Frederico apostava num jogo de sorte em conjunto com os colegas do trabalho e ao final do dia, como que em modo de ritual, ia fazer as apostas de cada um para o fim-de-semana.
Na papelaria habitual, Frederico escolhia os números e as letras. Mas, num destes dias, Frederico pousou a carteira das moedas em cima do balcão, distraidamente e confiante, já que era a papelaria do bairro, onde todos se cumprimentam. Contudo, há sempre desconhecidos e oportunistas, e há primeira ocasião que pôde, uma senhora de cabelos longos e brancos fanou-lhe a carteira.
Frederico estava incrédulo!
- Como é possível isto ter acontecido? Mas…mas…a carteira estava aqui mesmo em cima…Porra!
Ao ver a filmagem do acontecimento, Frederico perdeu a cabeça! Fez queixa à polícia e foi tratar dos documentos que perdeu – cartão do cidadão, carta de condução e multibanco.
Segunda-feira, ao contar aos colegas o episódio, claro que todos se riram dele. E quando mostrou o vídeo então, a risada foi geral. Pobre Frederico. Que fazer agora?
Bem, documentos cancelados era tempo de fazer novos.
Dirigiu-se aos serviços do “Perdi a Carteira”, tirou a senha e aguardou a sua vez.
- Boa tarde, em que posso ajudá-lo, senhor?
- Boa tarde minha senhora, perdi a carteira e preciso de tratar do cartão de cidadão e da carta de condução, por favor.
- Tem marcação?
- Desculpe?
- Se tem marcação?!
- Não. Mas é preciso?
- Claro! Este balcão só funciona por marcação. Agende telefonicamente e volte cá quando disserem, está bem? Obrigada. Próximoooooo…..! 

                “Marcação? Marcação? – repetia para si, completamente aparvalhado - já nem sei que pensar. Aliás, nem sei se isto me faz rir, se me faz chorar em doses iguais. Porra pá! Maldito vício do jogo! “