Agora que já passou um mês, já posso desabafar à vontade.
A maternidade é muito difícil. Porra!
Não fosse o pai da criança ter os primeiros 15 dias connosco de licença e acho que tudo desabava com muita facilidade.
Cada semana é uma etapa distinta. Isto para não dizer "cada dia"!
Se não é por causa do comer é por causa das cólicas, se não são cólicas nem comida é por causa dos sonos trocados. Todos os dias são diferentes. Mas o cansaço é igual. E é muito.
Na primeira / segunda semana em casa, tínhamos de acordá-la de 2 em 2 horas para mamar. Perdeu muito peso desde que nasceu e tinha que o recuperar entretanto. Tive dificuldades na amamentação, no inicio não pegava muito bem, até que depois da primeira consulta de enfermagem no centro de saúde as coisas melhoraram. E engordou. Engordou tão bem que depressa passou a ser desnecessário acordá-la para mamar; passou a acordar sozinha, por regra de 3 em 3 horas.
Na terceira semana tudo parecia encaminhar. Comia bem, dormia bem.
Só que não.
Comer ainda lá vai, agora dormir...ui... A moça tem mau dormir, dorme com o "fole" aberto, sempre a palrar sozinha. Não sei se a sonhar ou não, mas não deixa o pai dormir. Eu já me habituei a estes sons, estamos juntas todo o dia, todos os dias, e nas sestas diurnas é igual, a diferença é o silêncio da noite, onde qualquer som parece pior do que na realidade é.
Eu acabo por adormecer a ouvi-la palrar enquanto sonha e dorme. E aquele primeiro sono nocturno vale ouro! Quando acordo de repente, olho para o relógio, e vejo que só passou uma hora. Mas pareceu-me na realidade quatro horas. E ela continua, a dormir e a falar "sozinha".
Mas e o resto?
Tudo na minha / nossa vida se alterou.
De repente e sem ninguém avisar.
Sabíamos que a maternidade iria ser difícil, mas nunca pensei que fosse tanto.
Começa logo por uma parte essencial neste processo, que é a mãe, não estar a 100%, logo na altura em que mais o bebé precisa dela. Mas quem diria que a dormir só 2 ou 4 horas por dia o meu corpo iria aguentar tanto?
Será que aquilo que dormimos na gravidez afinal acumula em horas para gastar no primeiro mês de vida do nosso filho?
Só pode!
O corpo reservou nalgum lugar estes créditos!
Só passou um mês, é certo.
Mas as mudanças são muitas. E ninguém está preparado para elas, por mais que queiras ser mãe, ser pai, ninguém sabe o que nos espera.
A natureza tem de facto um papel importante neste processo: faz nos esquecer rápido as privações iniciais de cuidar de um recém nascido. Por isso é que há irmãos no mundo, senão ninguém teria coragem para voltar a ter filhos! Por mim falo, que enquanto me lembrar de tudo isto, só tenho olhos para a Catarina, não quero mais filhos.
O primeiro mês é todo ele uma aprendizagem mútua:
- a mãe aprende com o filho;
- o filho aprende com a mãe;
- a mãe e o pai aprendem juntos;
- o filho aprende com os pais, TUDO!
Um recém nascido não sabe nada.
Não sabe comer, não sabe usar as mãos, não sabe chuchar. Teremos o papel mais importante de todos nesta vida: ensinar. Educar será mais à frente, para já ensinar é a palavra mais correta.
Este exaustivo primeiro mês tem um sabor um pouco agridoce: damos muito ao bebé e recebemos pouco em troca. Ele faz pouco para além de comer, dormir e necessidades. E nós fazemos pouco mais do que lhe dar maminha, trocar a fralda e aconchegar para dormir da melhor forma, envoltos em cansaço extremo.
No entanto, é um mês muito importante para estabelecermos laços.
Aproveitamos para dar amor, carinho, conversar com ela, acalmar quando chora, dar colinho, fazer massagens para aliviar as dores, dar banho, usar roupas lavadas e bonitas, mima la dos pés à cabeça.
Conversamos muito com ela - eu tento cantar, mas não é o meu forte.
Estamos a aprender a viver a três. E tem sido uma aventura daquelas com direito a bolinha no canto direito do ecrã. Mas temos a certeza que tudo valerá a pena. Para já, tem valido!
Pais Felizes. Filhos Felizes.
Este é o meu lema.
Para a frente é o caminho.
Que A Aventura das nossas vidas continue...

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