"Havia uma mulher que..."
Continue, acrescentando não menos de 300 palavras, este texto.Este é o meu texto:
Havia uma mulher que era tão
feia, tão feia, mas tão feia, que vivia isolada do mundo desde sempre. Quando
nasceu, era a criança mais desejada da sua aldeia. No entanto, assim que a mãe
a viu, chorou sete dias e sete noites, horrorizada por esta bebé ser tão feia.
O seu pai, independentemente da
sua pouca beleza, amava-a como nunca amou nada na vida. Também chorou, coitado,
sozinho à noite, na sua biblioteca. Chorava, não porque sabia que a sua querida
menina era feia, mas porque sabia que ela ia sofrer a vida inteira por ser
assim. Diferente.
Cortava-lhe o coração ver todos à
sua volta gozarem com a menina, que mal tinha horas e já era desprezada por
toda a comunidade.
A mãe tentou matar-se várias
vezes. Mas ironia do destino, nunca conseguiu. Talvez fosse o seu karma ter que olhar para aquela menina o
resto da sua vida. Por isso, fechou-se a sete chaves noutra casa, isolada de
tudo e todos.
O pai, por seu lado, agarrou-se à
vida e à sua fábrica de ferro, dedicou-se ao seu trabalho afincadamente. Quando
ela era pequena só ele a visitava. Lia-lhe histórias todas as noites antes de
ela adormecer, levava-lhe o pequeno-almoço todas as manhãs antes de sair para
trabalhar, vinha almoçar com a filha, voltava para a fábrica e fazia questão de
jantar com ela.
Quando ela fez seis anos
contratou uma professora para dar aulas à sua menina, que cresceu encarcerada
na torre mais alta da sua casa. Quase ninguém tinha autorização para a visitar.
A mãe mão mais a quis ver.
Para celebrar os seus dezoito
anos, o pai organizou uma festa para toda a gente da aldeia e arredores. Queria
apresentar a filha ao mundo. Era um pai orgulhoso dela e assim que o baile
começou, Ana desceu a escadaria, coberta por um véu cor-de-rosa, num vestido
deslumbrante, feito à sua medida. As luzes estavam quase apagadas, todos
pensaram que o pai não queria que se assustassem ao vê-la. Toda a gente sabia
que ela era feia, mas há dezoito anos que ninguém a via.
Quando a música começou a tocar,
Ana retirou o véu e o som do espanto percorreu a sala. Ana tornou-se numa
mulher única, de uma beleza esplendorosa, um corpo de sonho e uma inteligência
fora de série. Todos os solteiros queriam dançar com ela; os homens casados
também mas não podiam.
No final da noite, a mãe apareceu
sorrateiramente para ver como estava a correr o baile e logo que viu a filha
nem quis acreditar em como ela se tinha tornado numa mulher bonita, com um
rosto cheio de luz em contraste com a torre escura onde sempre viveu.
Ana viu-a, chamou-a para si. Dançaram
as duas. A mãe chorou de vergonha e Ana perdoo-a. O pai voltou a sorrir, a mãe
viveu envergonhada o resto da vida.
E Ana? Ana voltou para a sua
torre, sua fortaleza, onde sempre quis viver, embora a partir deste dia não
mais ficou fechada, assumindo os negócios do pai, casou com o homem mais
bondoso da aldeia e fez fortuna. Foi mãe de um rapaz e deu-lhe o nome do seu
pai: Francisco.
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