quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A Doença do Século

Nono Desafio de Escrita Criativa

Escreva um texto, com não mais de 300 palavras, que comece e termine com a letra "a". 

Este é o meu texto:

Anda triste, semblante baixo.
De repente o mundo ruiu sem que pudesse sequer escolher o que quer que fosse para a sua vida.
Apenas com oito anos, a mãe acabara de sucumbir à puta da doença do século. O cancro. Primeiro na mama Agora em todo o lado. Foram apenas três semanas.
Os pais já estavam separados nem um ano tinha completado ainda.
E ele cá ficou agora, desamparado. De mãe, entenda-se. Os avós, já com alguma idade, não podem ficar com ele, embora queiram.
Ficará o pai.
Felizmente tem agora também estabilidade, emocional e financeira, para que possa ser criado num lar, com amor e educação, onde já uma pequena irmã o espera de braços abertos, gritando ao mundo “Eu tenho um mano!”. E que orgulho tem ela neste irmão.
Mas esta criança sofre. Em silêncio.
Lembremo-nos: de repente tudo o que sempre conheceu desde pequeno deixou de existir. Deixou de ter os amigos da escola onde sempre andou, deixou de estar todos os dias com os avós maternos, deixou de brincar na rua onde sempre brincou com os vizinhos, amigos.
No entanto, o outro lado desta moeda trouxe-lhe uma família renovada. Avôs, avós, tias, tios, primos, madrasta, padrinhos e uma irmã. E os amigos, a família que se escolhe.
Tudo agora será para ele um recomeço.
Apesar de oito anos, tem maturidade de seis. Voltou a repetir a segunda classe, entrou para os escuteiros, fez novos amigos e aos poucos se vai ambientando ao novo lar a tempo inteiro, aprendendo as regras da casa, as rotinas diárias, com novas responsabilidades.

Mas de noite, no silêncio do seu quarto e antes de adormecer, suspira por ela: minha mamã…

Sem comentários:

Enviar um comentário