Continue, acrescentando-lhe não mais de 300 palavras, o seguinte texto:
Fez o que tinha a fazer...
E este é o meu texto:.
Fez o que tinha a fazer naquela
noite. Não podia esperar nem mais um segundo para se ver livre do que a
atormentava há anos. Ainda hesitou, mas ele nem teve tempo de dizer olá quando
pôs a chave à porta.
Um tiro de caçadeira atravessou-o
de um lado ao outro. BOOMMM!!
Um estrondo enorme foi ouvido
prédio acima. Lurdes respirou fundo. Sentou-se à porta de casa, junto ao corpo
inanimado do marido. Tinha a certeza que em breve alguém aparecia para saber o
que se passava naquele andar da Rua da Esperança.
Que irónico! Lurdes já pouca
esperança tinha naquela relação de mais de trinta anos. Vivia em permanente
sufoco, tremia sempre que Eduardo metia a chave à porta depois de mais um dia
de trabalho, depois de mais um final de dia no café, depois de mais um dia a chegar
bêbedo a casa e depois de mais uma e outra vez de lhe dar uma e outra sova, até
a deixar por vezes inconsciente. Batia-lhe nem se sabe porquê.
Os filhos, já criados, assistiram
a muitos episódios destes enquanto pequenos. Contudo, nunca a esta dimensão a
que chegou nas últimas semanas.
Lurdes permanecia sentada. Olhar
vazio, fixo na fotografia de casamento de ambos, onde a felicidade aparentemente
reinava. Casou grávida, jovem, sem ter vivido o que era suposto no seu tempo.
Por vergonha, o pai obrigara-a a casar com o pai do filho, com quem não tinha
muita afinidade, mas não teve escolha. Eram outros tempos e valores mais altos
se levantavam.
Nunca foi feliz. Nunca se sentiu
verdadeiramente feliz. Só os filhos lhe davam o sorriso que tudo o resto lhe
faltou sempre. Mas agora, sentiu um alívio inimaginável, só quebrado pelo som
da sirene da polícia. Mas o sofrimento terminou. E agora é feliz.
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